Anos atrás, tive a oportunidade de trabalhar com grupos que participavam do World Skills Championship, em São Paulo. WorldSkills é uma organização internacional que, a cada dois anos, apresenta uma competição de habilidades vocacionais. A competição trouxe representantes de diversos países para que suas habilidades profissionais pudessem ser avaliadas (esse era o objetivo da competição). Naquele ano, o Brasil trazia principalmente participantes do Senai.
Nessa rara ocasião, fiquei impressionada com as diversas maneiras como a Finlândia, primeira no mundo quanto a qualidade de vida, cuida dos seus. Primeiramente, a ideia de que todos devem ter as mesmas oportunidades, independentemente de sua origem, renda, idade ou gênero, está profundamente enraizada na sociedade finlandesa. As crianças aprendem desde cedo a respeitar a si mesmas e aos outros. O bem-estar é visto como uma responsabilidade de toda a sociedade, não apenas do indivíduo.
Valores sociais e culturais sólidos orientam toda a política de bem-estar e estão na base do cuidado com sua população mais vulnerável: idosos, puérperas e o povo, em geral, valorizando sempre a autonomia e a dignidade individual.
A Finlândia oferece:
-Educação pública de qualidade para todos,
-Valorização do trabalho dos professores, cuidadores e profissionais de saúde.
-Cuidados de saúde gratuitos e acessíveis,
-Políticas de inclusão para idosos e mães recentes.
A Finlândia é referência mundial no cuidado materno-infantil, promovendo uma visão humanizada da vida: as puérperas são tratadas com carinho, respeito e suporte.
-Pacote maternidade: o governo entrega gratuitamente um kit com roupas, fraldas, itens de higiene e um colchão, que pode ser usado como berço;
-Pré-natal universal e gratuito: Mulheres grávidas recebem assistência médica de alta qualidade, com foco na prevenção e no acompanhamento contínuo;
-Licença-maternidade e paternidade generosas: Cerca de 14 meses de licença compartilhada entre mãe e pai;
-Visitas domiciliares de enfermeiras: Após o parto, profissionais qualificados visitam a casa da puérpera para orientar e acompanhar mãe e bebê, e até podem permanecer por um dia ou dois, para que a mãe possa dormir e se cuidar.
A Finlândia tem uma das populações mais envelhecidas da Europa, e encara o envelhecimento como uma fase ativa da vida. Os idosos são vistos como membros ativos e valiosos da sociedade e são incentivados a permanecerem em suas casas, com suporte, em vez de serem institucionalizados.
-Serviços públicos de saúde e assistência domiciliar: A maioria dos idosos recebe cuidados em casa. Apenas casos com alta dependência vão para instituições.
-Habitação adaptada: Muitas moradias públicas são adaptadas para mobilidade reduzida.
-Programas de inclusão social: Incentiva-se o envolvimento de idosos em atividades culturais, físicas e voluntariado.
-Apoio financeiro: Aposentadorias garantidas e subsídios específicos para medicamentos e transporte.
O sistema educacional da Finlândia é considerado um dos melhores do mundo e gratuito do início ao fim. Lá,
a educação não tem por finalidade apenas obter emprego na vida adulta, mas foca principalmente, em formar cidadãos conscientes, éticos e críticos.
Pontos principais:
-Não há pressa para alfabetizar as crianças: o foco inicial é no desenvolvimento emocional e social.
-A aprendizagem é construída em conjunto, sem competição exagerada.
-O conhecimento é um bem comum, não uma forma de ascensão individualista.
Princípios-chave:
-Educação gratuita e universal: Da educação infantil à universidade, sem mensalidades.
-Professores altamente qualificados: Todos têm mestrado e grande autonomia em sala de aula.
-Pouca ênfase em provas: Foco no aprendizado, não na competição.
-Apoio individualizado: Crianças com dificuldades recebem suporte extra na própria escola.
-Alimentação escolar gratuita: Toda criança tem direito a uma refeição quente por dia.
-Menos horas em sala, mais tempo livre: O tempo fora da escola é considerado tão importante quanto o tempo em sala, para o desenvolvimento integral.
Na época do campeonato, trabalhei com garotas jovens, futuras cuidadoras de idosos, e percebi como era importante para elas estarem aptas para o trabalho: verificavam obstáculos nas casas, orientavam quanto à alimentação e prestavam atenção individualizada e pertinente.
Para nós, é um mundo idealizado com certeza, mas, se eles conseguem talvez nós possamos também tentar seguir seus passos e chegar lá....um dia!
