Recentemente, temos visto um aglomerado de construções em desenvolvimento em São Paulo. São, em sua maioria, prédios com espaço mínimo, provavelmente destinados a pessoas que pensam em só ir para casa para dormir. Mas, o que esse número exagerado de novos edifícios representa para aqueles que já habitam tais áreas? Teremos infraestrutura adequada para suprir nossas necessidades de água, gás, saneamento, eletricidade, mobilidade e segurança? Temos sofrido com diversos apagões, quedas de árvores, lixo nas ruas e um aumento incalculável de roubos e furtos. O sistema de transporte público já dá sinais, há muito tempo, de exaustão e inadequação.
Minha pergunta, que fica no ar por falta de uma resposta abrangente e confiável, é se agora não temos apoio suficiente para adereçar tais questões, quem pode nos garantir que, futuramente, tais inclusões representem progresso sem retrocessos?
1. Plano de gestão hídrica
_ O governo do Estado de São Paulo implementou um novo modelo de planejamento e monitoramento da água para prever abastecimento ao longo de 12 meses e adotar medidas antecipadas de prevenção e uso racional. Estão, também, previstos projetos estruturantes, como ampliação da capacidade do Sistema Integrado Metropolitano e transferência de água entre mananciais, além de obras em estações de tratamento e reservatórios até 2027. Mas, mesmo com planejamento, eventos extremos de seca ou chuvas intensas podem pressionar o sistema de abastecimento, além do controle da redução de perdas no sistema exigindo consumo responsável e investimentos contínuos. A capacidade de água depende também das chuvas, e da execução eficaz dos projetos.
O governo do Estado está estruturando grandes projetos de segurança hídrica e resiliência ao clima, como a concessão de obras e sistemas de distribuição na Bacia PCJ, com forte investimento em ampliar a disponibilidade e regularidade do abastecimento.
A Prefeitura de São Paulo está desenvolvendo um Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado, que orienta o abastecimento de água, esgoto e drenagem urbana e busca universalizar o serviço dentro da cidade, especialmente em áreas vulneráveis. A Prefeitura de São Paulo alocou investimentos diretamente segundo indicadores sociais e de infraestrutura das 32 subprefeituras, priorizando justamente as áreas com maiores déficits e vulnerabilidades urbanas, aquelas que mais sofrem com falta de serviços públicos e infraestrutura básica. Isso inclui saneamento, habitação, drenagem urbana e mitigação de riscos como enchentes e deslizamentos. Um financiamento internacional e parcerias incentivam melhorias no Tietê e em regiões com baixa cobertura de rede de esgoto.
- Regiões como Capela do Socorro, Cidade Ademar, Grajaú e Parelheiros (zonas Sul e Extremo Sul) historicamente enfrentam mais carências de serviços e devem receber fatias maiores dos recursos municipais para infraestrutura, incluindo água, esgoto e drenagem.
- Áreas do Centro, Pinheiros e Moema, que já contam com rede mais consolidada, recebem menos prioridade de recursos municipais – mas continuam conectadas às grandes obras estaduais e federais que abrangem toda a metrópole.
O Estado tem um portfólio de projetos de água e energia com dezenas de bilhões de reais previstos até 2026, incluindo operações de drenagem e segurança hídrica ao longo dos principais rios metropolitanos (Tietê e Pinheiros), que são vitais para a infraestrutura urbana de regiões periféricas e centrais.
Os planos municipais incluem ações para redução de desastres e gestão de risco urbano – como drenagem e saneamento em zonas propensas a enchentes, que historicamente são periferias e regiões de baixa renda.
2. Planejamento e ampliação da rede elétrica
A rede elétrica na cidade é operada por concessionárias que precisam ampliar e modernizar linhas para atender à demanda crescente de prédios novos. Episódios de tempo severo podem causar interrupções no fornecimento e expor limitações da infraestrutura existente. A expansão e modernização da rede deve ser contínua e precisa acompanhar o ritmo das construções.
Autoridades federais e estaduais têm cobrado melhorias e até consideraram a revisão do contrato de concessão da principal distribuidora, evidenciando que a infraestrutura precisa estar mais resiliente.
O Plano Estadual de Energia de São Paulo busca acelerar a transição para fontes mais limpas e implementar projetos como energia solar em reservatórios e outras fontes renováveis, reduzindo dependência de sistemas mais vulneráveis.
Apesar de eventos climáticos extremos (como grandes tempestades que já causaram apagões em 2025), o Estado tem projetado a expansão de infraestrutura energética e parcerias privadas para aumentar a capacidade sustentável da rede. Esse tipo de investimento ajuda a garantir que o fornecimento de energia acompanhe o crescimento urbano. Mas, ainda há necessidade de reforçar a rede e torná-la mais resistente a tempestades e picos de consumo, especialmente em regiões de expansão urbana.
3. Expansão controlada do gás natural
_O Estado projeta um forte aumento do uso de gás natural na geração de energia — até 400% até 2034 - o que ajuda a diversificar a matriz energética e pode ampliar a oferta, incluindo para uso residencial e comercial. Para novos prédios e empreendimentos, há tendência de maior disponibilidade de gás natural, tanto para uso residencial quanto para geração de energia complementar.
O gás é praticamente sempre previsto no projeto dos prédios, então há disponibilidade se houver planejamento e licenciamento adequados, mas não é um recurso “ilimitado” sem investimentos.
4. Orçamento e atenção à segurança pública e infraestrutura urbana
_ O orçamento municipal para 2025 e 2026 mostrou aumento nos investimentos em infraestrutura urbana, incluindo habitação, saneamento e medidas de sustentabilidade, com foco em reduzir desigualdades entre regiões. A segurança pública depende de políticas integradas, segurança em áreas de alta densidade populacional requer não só mais polícia, mas planejamento urbano, iluminação, mobilidade e integração comunitária.
Embora a Segurança pública integrada não dependa só de investimentos em infraestrutura física, o orçamento e os programas municipais contemplam ações de gestão urbana e mitigação de riscos como enchentes e deslizamentos em áreas urbanas, essenciais quando há expansão habitacional e verticalização e impactam a sensação de segurança e a qualidade de vida nos bairros que crescem rápido
5. Energia e Transporte com impacto em toda a Região Metropolitana
Projetos de mobilidade e energia abrangem grandes áreas - Muitas obras importantes, como expansão de linhas de metrô e trem, melhorias em rodovias e estrutura logística, são planejadas com financiamento estadual e federal. Esses grandes investimentos favorecem integração entre diferentes zonas da cidade e também a infraestrutura que sustenta o crescimento de novas construções.
Embora a segurança em sentido estrito (polícia, vigilância etc.) não dependa diretamente dos recursos de água/energia, melhorias urbanas (iluminação, vias seguras, espaços públicos adequados) contribuem para qualidade de vida e sensação de segurança em bairros com alto crescimento.
Apesar de todos nossos temores, só o que podemos fazer é aguardar e conferir se e quando os prognósticos aqui apresentados vão realmente se concretizar!
