Em um mundo cada vez mais dominado por aparências fabricadas, filtros e padrões artificiais, a beleza autêntica que emana da essência, da verdade, das imperfeições assumidas, se torna uma joia rara perdida na montanha.
A beleza pode estar em um gesto de gentileza, num rosto marcado pelo tempo e pela experiência, em uma alma que sabe amar com profundidade. É rara porque exige coragem: coragem para ser quem se é, sem máscaras, sem querer agradar o mundo inteiro.
Corpos curvilíneos já foram o padrão de beleza em outras épocas enquanto, mais recentemente, a ênfase na magreza dominava. Hoje, valorizam-se corpos musculosos, saudáveis: cresce a percepção de que “estar bem” (física e mentalmente) representa mais atração do que medidas exatas. Boa postura e pele saudável podem ser considerados mais “bonitos” do que um corpo excessivamente magro ou volumoso.
Raízes evolutivas podem ter influenciado na busca por essa tal simetria: pele saudável, proporções corporais equilibradas, em muitas culturas, associadas inconscientemente à saúde, fertilidade e bons genes. Ou seja, a beleza física pode ter surgido como um sinal biológico de aptidão reprodutiva
associada à ausência de doenças ou deformações.
A beleza abre portas no mercado de trabalho, nos relacionamentos, na política, nas redes sociais. É um cartão de visita que, por vezes, fala antes da pessoa.
A beleza promove, impulsiona carreiras, vende produtos, atrai seguidores, conquista simpatias. A beleza coroa - transforma o comum em extraordinário, confere um ar de realeza a quem se encaixa no ideal. Vejamos os casos de Grace Kelly e Gisele Bündchen.
Essa glorificação da estética normaliza a superficialidade, alimenta uma autoimagem vazia, estimula padrões inalcançáveis, exclui quem não se encaixa.
E todos querem ser belos. Todos precisam de reafirmação social e aceitação. E em nome dessa aceitação estamos todos buscando tratamentos estéticos cosméticos duvidosos e até nos sujeitamos a procedimentos arriscados, não raro buscando atalhos para conseguir um preço mais acessível ou o médico menos recomendável, tudo em nome do “look” desejado.
Muitos se moldam para agradar, outros se anulam para pertencer.
Nesse jogo, a autenticidade se perde. E aí surgem perguntas incômodas:
Quantas portas se fecharamantes que se pudesse avaliar o extraordinário que lá havia?
