A vida apresenta um espetáculo constante, onde muitos “visitam” perfis como quem olha vitrines de comportamentos humanos, compartilham suas rotinas, seus corpos, suas dores e alegrias. Nas redes, somos ao mesmo tempo observados e observadores.
Como o cão de Pavlov, como que nos apresentamos em cativeiro, e somos, dia após dia, treinados a repetir padrões para obter recompensas.
Assistimos, julgamos, comentamos, rimos, criticamos, ridicularizamos, cancelamos. Tudo em nome do entretenimento.
O algoritmo mantém sua observância. As plataformas ditam comportamentos, estimulam vícios, criam compulsões.
Recriam um “habitat natural” onde tudo e todos parecem lindos, ricos, felizes, interessantes.
A vida humana não passa de um “reality show” digital. Representamos o tempo todo. E, pior do que nos expormos é o fato de que nos colocamos à mercê das críticas alheias e permitimos que se crie um mundo sem imperfeições, um mundo inexistente. E vivemos essa mentira dia após dia.
Será essa a liberdade que almejamos? Ou estamos reagindo a um estímulo?
Até que ponto nos deixamos condicionar em troca de palmas?
Podemos fugir dos padrões, nos rebelar na busca de maior autenticidade, entender os limites do que é saudável compartilhar, proteger nossas individualidades, sair da jaula de vez em quando, e viver a vida offline com qualidade.
“Vivemos numa época em que ser visto se tornou mais importante do que ser.”
— David Brooks, colunista e autor norte-americano
